Os acusados de comandar um esquema de tráfico de
pessoas para exploração sexual, na região do Xingu, sudoeste do Pará. Os
empresários Adão Rodrigues, 51 anos, e sua esposa Solide Fátima Triques, 38, se
apresentaram na Depol de Altamira na
noite de 21/02 ambos acompanhados de advogados, eles foram prestar
esclarecimentos aos delegados que apuram o caso de tráfico humano na região, após prestarem depoimento os dois receberam voz de
prisão do delegado Lindoval Borges, uma mandado de prisão preventiva já estava
expedido contra os dois pelo Juiz da
comarca de Altamira.

Após serem presos foram levados para o IML para
fazer exame de Corpo delito,
na manhã do
dia seguinte sexta-feira, 22, eles foram transferidos em um avião do Governo do
Estado de Altamira para Belém, sob escolta policial. Adão Rodrigues foi levado
para o Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC), enquanto a mulher foi levada
para o Centro de Reeducação Feminino (CRF), em Ananindeua. O avião decolou por
volta 13 horas e pousou no Aeroporto Internacional Val-de-Cans, por volta de
14h15. Com os rostos cobertos por toalhas, os acusados evitaram, de início,
responder às perguntas de jornalistas, mas, aos poucos, falaram sobre as
acusações. Aos repórteres, Adão Rodrigues disse que não sabia que havia uma
adolescente na boate “Xingu”, de sua propriedade, em Vitória do Xingu. Segundo
ele, a garota havia se apresentado com a idade de 25 anos. Já Solide negou que
explorava pessoas para a prostituição.
Conforme a delegada-geral adjunta da Polícia
Civil, Christiane Lobato, os dois são apontados como envolvidos no esquema de
tráfico de pessoas para exploração sexual, na região do Xingu, mas que ainda
restam outras pessoas envolvidas no crime. “Geralmente, por trás do tráfico de
pessoas, há desde aliciadores até os exploradores sexuais”, explica. Segundo
ela, os acusados já foram presos, há dois anos, em Rondônia, onde eram donos de
uma casa de prostituição localizada às proximidades de canteiros de obras de
uma hidrelétrica naquele Estado. Em Vitória do Xingu, a boate “Xingu”, ficava a
cerca de 20 quilômetros de dois canteiros das obras da Usina Hidrelétrica de
Belo Monte. Para a delegada-geral adjunta, fica evidente que os dois aproveitam
a grande movimentação de pessoas atraídas por esses projetos para realizar a
exploração de pessoas para programas sexuais.

No início deste mês, dois homens foram
presos na boate “Xingu”, também foram
transferidos para presídios na Região Metropolitana de Belém. Eles atuavam com
gerente e garçom no estabelecimento. No total, 18 mulheres e uma travesti foram
resgatadas do interior da boate. A maioria das pessoas era procedente de
Estados do sul do Brasil, principalmente, Santa Catarina.
Antes da sua transferência para presídios da
Capital do Estado Adão Rodrigues foi ouvido em depoimento pelas delegadas
Thalita Feitoza, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de
Altamira, e Fernando Rocha, do Núcleo de Apoio à Investigação de Castanhal, na
Superintendência Regional do Xingu, sob coordenação do delegado Cristiano
Marcelo do Nascimento.
O preso admitiu que havia programas sexuais,
dentro da boate, mas negou que as jovens eram submetidas a cárcere privado e
maus-tratos, conforme denunciado por uma adolescente de 16 anos, que fugiu do
local e denunciado os crimes ao Conselho Tutelar de Altamira e à Polícia Civil.
Segundo o acusado, havia uma pessoa específica, no sul do país, responsável em
aliciar as mulheres, na região, para a prostituição. Ele afirmou ainda que
desconhecia a existência de uma adolescente na boate. O acusado alegou que a
garota havia se identificado como maior de idade.

INQUÉRITO CONCLUÍDO “Trabalhoso, mas o resultado
foi muito bom”, disse o delegado Lindoval Borges, titular da Delegacia de
Vitória do Xingu, sobre a investigação que desarticulou o esquema de tráfico de
pessoas para exploração sexual na região. Responsável pelo inquérito policial,
o policial civil entregou os relatórios finais do processo, por volta de 13h30,
no Fórum Criminal de Altamira, que responde pela comarca de Vitória do Xingu. O
inquérito foi concluído com mais de 160 laudas, com depoimentos, documentos,
perícias, entre outros elementos de comprovação do crime. Ao todo, seis pessoas
foram indiciadas. Quatro delas estão presas – os donos da boate “Xingu”, Adão
Rodrigues e Solide Fátima Triques; o gerente da boate, Carlos Fabrício
Pinheiro, e o garçom do local, Adriano Cansan. Outras duas pessoas estão
foragidas, com as identidades e paradeiros preservados.

Segundo a delegada Thalita Feitosa os indiciados
vão responder, no Código Penal Brasileiro, nos artigos 231-A, por tráfico de
pessoas para exploração sexual; 218-B, por submeter, induzir ou atrair à
prostituição ou outra forma de exploração sexual pessoa menor de 18 anos; 228,
por induzir ou atrair alguém à prostituição; 229 por manter, por conta própria
ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração sexual, visando lucro,
ou por mediação direta do proprietário ou gerente, e 230, por tirar proveito da
prostituição alheia, participando diretamente dos lucros ou fazendo-se
sustentar, no todo ou em parte, por quem exerça a prática ilegal. O delegado
Cristiano Nascimento, titular da Superintendência da Polícia Civil na Região do
Xingu disse que no total, 18 pessoas, entre mulheres e uma travesti, foram
resgatadas da boate “Xingu”. “A maioria delas é natural de Estados do Sul do
Brasil, delas, 11 já retornaram aos Estados de origem, inclusive, a
adolescente, com apoio do Governo do Estado, as demais preferiram permanecer em
Altamira”. Finalizou o Superintendente.
Fontes: Polícia Civil – Delegacia Regional.
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