MINISTÉRIO DO TRABALHO PERSEGUE PRODUTORES DE CACAU DA TRANSAMAZÔNICA, NO OESTE DO PARÁ
Revoltados trabalhadores e produtores de
cacau fecham a Transamazônica BR 230, nesta segunda-feira
| Trabalhadores, produtores e comerciante fecharam a Transamazônica Br 230 |
Mesmo
depois de um seminário realizado no mês de agosto em Medicilândia onde
participaram do debate trabalhadores, produtores, entidades ligadas a produção
cacaueira na região e José Ribamar chefe
de fiscalização do Ministério do
trabalho, na ocasião os produtores expuseram a situação a qual estão vivendo
com as constantes fiscalizações realizadas pelo Ministério do Trabalho, fiscais
acompanhados por agentes do IBAMA e Polícia Federal. Os trabalhadores e
produtores reclamaram da arrogância, truculência e violência com que são
tratados pelos fiscais, suas famílias
são ameaçadas com armas apontadas em sua direção como se fossem bandidos
pelos fiscais que invadem suas
propriedades sem mandado judicial, violando o direito à propriedade privada. As exigências não condizem com a realidade da região
Amazônica, principalmente neste trecho. Reclamam os trabalhadores.
Diante
das reclamações dos trabalhadores o chefe de fiscalização do Ministério do
Trabalho José Ribamar disse que os fiscais ao sair para campo são orientados a
tratar os fiscalizados com educação e nunca invadir uma propriedade, não usar
de arrogância ou truculência, pedir licença e autorização para adentrar na
propriedade. Mas não é desta forma que acontece.
Até
parece uma retaliação, mesmo depois de ter ouvido o relato dos trabalhadores a
fiscalização no final do mês de agosto foi mais violenta, mandaram fiscais que moram nos estados do Rio de Janeiro, São
Paulo e no Distrito Federal, pessoas que não conhecem a realidade da região, e mais
uma vez, de forma truculenta e violenta esses fiscais sem dar o direito de
defesa e nem o direito de dialogar saíram multando todos os produtores de cacau
de Medicilândia e da região, sem ao menos entender que o cacau também faz parte
do reflorestamento.
Mas
não era somente os produtores de cacau que os fiscais estavam interessados de
multar, outros trabalhadores também receberam multas absurdas, o proprietário
do balneário Ponte de Pedra senhor Daniel Ulian
foi multado em R$2.900.000,00 (dois milhões e novecentos mil reais),
esse é apenas um exemplo do tamanho da arbitrariedade, da falta de senso e da
falta de preparo.
Revoltados
com a situação as entidades ligadas a
produção cacaueira, produtores rurais, pecuaristas e produtores de cacau,
comerciantes, Câmara Municipal e com
apoio da prefeitura local resolveram na manhã desta segunda-feira 02 de setembro
fechar a rodovia Br 230 Transamazônica
na altura do km 92 na ponte união, entre os municípios de Medicilândia e
Uruará.
De
acordo com a coordenação do movimento a rodovia será liberada somente quando
chegar no município representante do Ministério do Trabalho com capacidade de
discutir, dialogar e com poder de decisão para suspender as ações dos fiscais contra os trabalhadores. Reconhecer o contrato
entre produtor e meeiros, uma vez que o INSS reconhece o mesmo e concede os benefícios com base neste contrato,
o reconhecimento dos contratos de meeiro tem uma importância social muito
grande, muitos trabalhadores que estão há mais de trinta anos trabalhando, e se
o Ministério do trabalhão não reconhecer, esses trabalhadores terão toda a sua
vida jogada fora e suas contribuições de nada valeram.
As
entidades que defendem os trabalhadores e a produção cacaueira na região estão
chamando o Ministério do Trabalho para o diálogo e um ajuste a legislação para
que as particularidades e a realidade de cada região seja levada em
consideração e os direitos sejam respeitados.
De
acordo com um dos coordenadores do movimento, Ney Teixeira, por telefone no
final desta tarde com a nossa reportagem disse que está previsto na manhã desta
terça-feira a presença de Odair Correa – Superintendente do Ministério do
Trabalho no Pará e a senhora Cleide, representante da casa de governo que farão
diálogo com os trabalhadores e mediarão as negociações com o Ministério do Trabalho
e com a pauta que está direcionada ao governo federal. Ney informou também que
a liberação da rodovia vai depender do poder de decisão dos representantes do
governo.
Carros, carretas, caminhões, ônibus e motos
formaram filas quilométricas na rodovia,
não podiam passar nem de um lado nem do
outro.
| Produtores usam as máquinas do dia a dia na roça do cacau para fechar a Br 230 |
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