EXECUTIVOS DE GEOTECNIA DA VALE PARTICIPAM DE OITIVAS, MAS DEIXAM MUITAS PERGUNTAS SEM RESPOSTAS https://www.alepa.pa.gov.br/noticia/6678/
EXECUTIVOS DE GEOTECNIA DA VALE PARTICIPAM DE OITIVAS, MAS
DEIXAM MUITAS PERGUNTAS SEM RESPOSTAS
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| Técnico de Zootecnia da Vale é ouvido na CPI da ALEPA - Oseas Santos - AID/ALEPA |
Mais
uma vez, a CPI da Vale (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia
Legislativa do Estado do Pará (Alepa), recebe executivos da mineradora para prestar
depoimentos aos deputados membros do colegiado.
Nesta
terça-feira (19.10), os deputados que compõem a comissão receberam para oitivas
o Gerente Executivo de Geotecnia da área de Ferrosos da Vale, Deni Otávio
Oliveira de Souza e o Gerente Executivo de Geotecnia da área de Metais Básicos,
José Henrique Coelho Wanderley Costa.
José Carlos Henrique Costa - Técnico de Zootecnia da Vale - Foto: Ozeas Santos (AID/Alepa)
O
especialista técnico de meio ambiente, Luciano Madeira, tinha sido reconvocado
e chegou a comparecer à oitiva, mas os deputados suspenderam seus depoimentos
para focar nas questões envolvendo barragens e no projeto de níquel de Onça
Puma, em operação no município de Ourilândia do Norte. Portanto, o funcionário
poderá ter uma nova reconvocação.
Os
deputados questionaram sobre segurança de barragens, monitoramento e controle,
além de cumprimento de condicionantes, passivos sociais, mas muitas perguntas
ficaram sem respostas.
A
informação dos executivos é que alguns temas específicos são de
responsabilidade de outras áreas técnicas da empresa. Esses comportamentos por
parte dos convocados têm sido constantes durante as oitivas. 
Dep. Est. Eraldo Pimenta - Presidente da CPI - Foto: Ozeas Santos (AID/Alepa)
O
presidente da CPI deputado Eraldo Pimenta, questionou sobre a não renovação de
licença de operação das atividades do projeto Onça Puma pelo não cumprimento de
condicionantes em Ourilândia do Norte e outros municípios que são impactados
diretamente e indiretamente como Tucumã, Água Azul do Norte, Parauapebas e São
Félix do Xingu.
O
Gerente Executivo de Geotecnia da área de Ferrosos da Vale, Deni Otávio
Oliveira de Souza, informou que não saberia responder por ser responsável pela
área de metais ferrosos.
"Não
saberia responder, porque as barragens fazem parte da área de metais básicos e
não é da minha área de atuação. Então não conheço esse assunto", disse.
Deni Souza - CPI da Vele ouvi técnico de Zootecnia /Foto: Divulgação (AID/Alepa)
Eraldo
Pimenta também perguntou sobre o controle de qualidade do ar nas regiões onde
se tem operações e em áreas impactadas pelos projetos de Onça
Puma. "A Licença de Operação de Onça Puma tem condicionantes como o
controle e monitoramento de ruídos e da qualidade do ar. O que foi feito para
melhorar as condições apresentadas?", indagou.
Em
resposta, o executivo disse que "A respeito das qualidades das
condicionantes, a informação é de que a Vale cumpre todas as suas obrigações,
mas nesse assunto específico não tenho mais como contribuir com a comissão,
porque não faço parte dessa área".
Obrigações
- Nas
licenças de operações, entre outras obrigações, estão previstas a manutenção das
ações de controle e monitoramento dos níveis de ruídos em áreas habitadas,
conforme as normas da NBR 10.151/2001, em períodos trimestrais, bem como o
monitoramento mensal da qualidade do ar, conforme resoluções do Conselho
Nacional de Meio Ambiente – Conama.
Para
o deputado Carlos Bordalo, vice-presidente da comissão que investiga a atuação
da Vale no Pará, a tragédia de Brumadinho é algo que deve servir como elemento
para a empresa como ponto de referência para se pensar em sistemas de extração
e de acondicionamento minerário e garantir maior segurança à população.
Nesse sentido, o parlamentar quis saber se houve mudança na política da Vale em
relação as suas barragens, depois do ocorrido em Brumadinho. "Como está
sendo esse controle de segurança?", perguntou Bordalo.
"As
barragens aqui do Pará sempre tiveram processos de segurança e monitoramento e
inspeções dentro dos padrões exigidos pelas normas nacionais e
internacionais", disse Deni Otávio.
Segundo
o executivo, todas as barragens possuem sistemas de sirenes para que em casos
de algumas anormalidades sejam acionadas automaticamente. "Até o momento
não houve nenhum caso em que as pessoas tivessem que sair, apenas sirenes de
treinamentos", garantiu.
A
região no entorno do projeto de níquel de Onça Puma, foi um dos maiores
problemas constatados nas diligências realizadas pela comissão. Além do não
cumprimento de condicionantes, existem graves passivos sociais que não foram
cumpridos pela mineradora.
"Existe
um passivo afetando diretamente 67 famílias, com informações de adoecimento,
possíveis casos de suicídios pela instabilidade na área, por não saberem se vão
poder adquirir um rebanho, ou se ficarão na região. A empresa não diz se
precisará ou não da área. Também não se retira e nem indeniza. As famílias
estão jogadas ali, a escola que havia no local foi desativada e as crianças
estão tendo que estudar longe e o posto de saúde também não existe mais",
enfatizou Bordalo.
Sobre
esse contexto Bordalo interrogou o Gerente Executivo de Geotecnia da área de
Metais Básicos, José Henrique Coelho Wanderley Costa. "E essas famílias
sofrem os impactos e algumas foram retiradas e outras não, qual a explicação
técnica para isso?", argumentou o parlamentar.
O
executivo informou que não teria como responder a esses questionamentos. Apenas
se limitou a informar que alguns moradores mudaram da região, sem explicar os
motivos.
"Não tenho essa explicação. Eu sei que perto do dique 06 temos 2
residências, e eram quatro, mas elas se mudaram de lá", concluiu José
Henrique.
Histórico
- O
Projeto Onça Puma existe desde 2011 para a extração de níquel, e é licenciado
pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas-PA). Em
2020 a produção de níquel de Onça Puma somou 16 mil toneladas. As atividades
minerárias já provocaram várias consequências na região como descumprimento de
condicionantes, o que levou a Vale a sofrer diversos processos judiciais e,
consequentemente, a suspensão das atividades.
No
último dia 04 de outubro, após ter sido notificada pela Secretaria de Estado de
Meio Ambiente, as operações na mina de Onça Puma foram suspensas.
Processos
- Em
agosto de 2017, Onça-Puma teve sua Licença de Operação (LO) suspensa por
decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1), por conta do
descumprimento de Condicionantes Socioambientais relativas aos povos Xikrin e
Kayapó, inclusive o não pagamento de compensações ambientais em decorrência dos
impactos causados sobre as populações.
Em
7 de dezembro de 2017 foi celebrado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)
com Ministério Público Federal. Ficou acertado o pagamento no valor 38,5
milhões de compensação ambiental aos povos indígenas afetados pelo
empreendimento.
No
dia 2 de março de 2019 as operações foram suspensas novamente porque, no
entendimento do tribunal, a Vale, estaria tentando suspender as compensações
aos povos impactados.
Convocações
- Os
prefeitos de Parauapebas Darci Lermen, de Canaã dos Carajás, Josemira Gadelha e
o prefeito de Ourilândia do Norte, Júlio César Dairel também serão ouvidos em
oitivas no dia 26 de outubro.
Por Mara Barcellos (AID/ALEPA)
https://www.alepa.pa.gov.br/noticia/6678/





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